quinta-feira, 16 de julho de 2015

A aceitação daquilo que é - Tathata

Tente entender a expressão  aceitação daquilo que é. Buda depende muito dessa expressão. Na língua dele, a palavra é tathata. Toda a orientação budista consiste em viver nessa palavra, viver com essa palavra tão profundamente que ela desaparece e você se torna a aceitação daquilo que é.
Por exemplo: você está doente. A atitude de aceitação daquilo que é consiste em aceitar isso e dizer a si mesmo: "Tal é o caminho do corpo", ou "As coisas são assim". Não crie uma briga, não comece a travar uma batalha. Você tem dor de cabeça; aceite-a. Tal é a natureza das coisas. Subitamente há uma mudança, porque quando se toma essa atitude, uma mudança a acompanha como uma sombra. Se você conseguir aceitar a dor de cabeça, ela desaparecerá.
Experimente fazer isso. Se você aceita um desconforto, ele começa a desaparecer. Porque isso acontece? Porque sempre que você está brigando, sua energia fica dividida: metade é canalizada para o desconforto, a dor de cabeça, e a outra metade luta contra a dor de cabeça - uma ruptura, uma divergência, e então a luta.
Esta luta é, na verdade, uma dor de cabeça mais profunda. Uma vez que você a aceita, que não se queixa, que não briga, a energia se torna uma só por dentro. A ruptura se desfaz  e muita energia é liberada, pois agora não há conflito e a própria liberação da energia se torna uma força de cura.
 
A cura não vem de fora. Tudo o que os remédios podem fazer é ajudar o corpo a ativar sua própria força de cura. Tudo o que um médico pode fazer é apenas ajudar você a encontrar seu próprio poder de cura. A saúde não pode ser forçada de fora, ela é sua energia florescendo.
 
Esta expressão aceitação daquilo que é pode funcionar tão profundamente que doenças físicas, mentais e finalmente espirituais se dissipam; esse é um método secreto. Comece com o corpo porque essa é a camada mais inferior. Se você for bem sucedido aí, então níveis mais elevados poderão ser tentados. Se você falhar aí, então será difícil passar para níveis mais elevados.
 
Algo está errado no corpo: relaxe, aceite isso e simplesmente diga por dentro, não apenas com palavras, mas sinta isto profundamente. "Tal é a natureza das coisas".
 
O corpo é um conjunto, então muitas coisas se combinam nele. O corpo nasce e está propenso à morte. Ele é um mecanismo complexo; há toda a possibilidade de uma coisa ou outra sair errada. Aceite isso e não se identifique. Ao aceitar, você fica acima, permanece além. Ao brigar, você desce para o mesmo nível. Aceitação é transcendência.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O Menestrel


 "Um dia você aprende...
    Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
    Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
    Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la… E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
    Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam… Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
    Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
    Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
    Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens… Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
    Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém… Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
    Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
    Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar."

    William Shakespeare

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Não coloqueis a candeia sob o alqueire...

Não se ascende uma candeia para coloca-la sob o alqueire, mas colocam-na sobre um candeeiro, a fim de que ela clareie todos aqueles que estão na casa. (São Mateus, cap. V, v. 15).

Não há ninguém que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso ou a coloque sob uma cama; mas a põe sobre o candeeiro, a fim de que aqueles que entrem vejam a luz; porque não há nada de secreto que não deva ser descoberto, nem nada de oculto que não deva ser conhecido e manifestar-se publicamente (São Lucas, cap. VIII, v. 16, 17)
 
Seus discípulos, se aproximando, disseram-lhe: Porque falais por parábolas? E, lhes respondendo, disse: Porque, para vós outros, vos foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas, para eles, não foi dado. Eu lhes falo por parábolas, porque vendo não veem, e escutando não ouvem nem compreendem. E a profecia de Isaías se cumprirá neles quando disse: Vós escutareis com vossos ouvidos e não ouvireis; olhareis com vossos olhos e não vereis. Porque o coração desse povo está entorpecido e seus ouvidos tornaram-se surdos, e eles fecharam seus olhos de medo que seus olhos não vejam, que seus ouvidos não ouçam, que seu coração não compreenda, e que, estando convertidos, eu não os cure. (São Mateus, cap. XII, v. de 10 a 15)
 
Admira-se de ouvir Jesus dizer que não se deve colocar a luz sob o alqueire, enquanto ele mesmo oculta, sem cessar, o sentido de suas palavras sob o véu da alegoria, que não pode ser compreendida por todos. Ele se explica dizendo aos seus apóstolos: Eu lhes falo por parábolas, porque não estão no estado de compreender certas coisas; veem, olham, ouvem e não compreendem; dizer-lhes tudo seria, pois, inútil no momento; mas a vós eu vo-lo digo, porque vos é dado compreender estes mistérios. Tratava, pois, com o povo, como se faz com as crianças, cujas ideias não estão ainda desenvolvidas. Com isso indica o verdadeiro sentido da máxima: "Não se deve colocar a candeia sob o alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos aqueles que entrem possam vê-la. Não significa que é preciso inconsideravelmente revelar todas as coisas; todo o ensinamento deve ser proporcional à inteligência daquele a quem é dirigido, porque há pessoas a quem uma luz muito viva ofusca sem esclarecê-las.
 
Ocorre o mesmo com os homens em geral, como com os indivíduos; as gerações tem sua infância, sua juventude e sua idade madura; cada coisa deve vir a seu tempo, e o grão semeado fora da época não frutifica. Mas o que a prudência manda ocultar momentaneamente deve, cedo ou tarde, ser descoberto, porque, chegados a um certo grau de desenvolvimento, os homens procuram, eles mesmos, a luz viva; a obscuridade lhes pesa. Tendo Deus lhes dado a inteligência para compreender e para se guiar nas coisas da Terra e do céu, querem raciocinar sua fé, e é então que não se deve colocar a candeia sob o alqueire, porque sem a luz da razão, a fé se enfraquece. (Cap. XIX, nº 7)
 
(Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XXIV - Não coloqueis a candeia sob o alqueire)

Espere pela clareza...

Buda está passando por uma floresta. É um dia quente de verão e ele está com sede; então pede a Ananda, seu guardião: "Ananda, volte. A uns cinco ou seis quilômetros daqui, passamos por um pequeno riacho. Leve minha cumbuca e traga um pouco de água para mim. Estou com muita sede e muito cansado."
Ananda volta, mas quando chega ao riacho, alguns carros de boi estão acabando de passar por ele e deixam todo o pequeno riacho cheio de lama; folhas mortas que repousavam no fundo do riacho estão boiando por toda parte. Não é mais possível beber a água, ela está muito suja. Ele volta com as mãos vazias e diz: "Você terá de esperar um pouco. Eu seguirei em frente, pois ouvi dizer que a apenas três ou quatro quilômetros há um grande rio. Trarei água de lá."
Mas Buda insiste: "Volte e traga a água daquele riacho."
Ananda não consegue entender a insistência, mas se o mestre diz, o discípulo precisa seguir. Ele vai, mesmo percebendo o absurdo daquilo: de novo ter de caminhar cinco a seis quilômetros e sabendo que a água não é boa para beber.
Quando ele está partindo, Buda diz: "E não volte se a água ainda estiver suja. Se ela estiver suja, simplesmente sente à margem em silêncio. Não faça nada, não entre no riacho. Sente-se tranquilamente à margem e observe. Mais cedo ou mais tarde a água ficará limpa de novo, e então encha a cumbuca e volte."
Ananda vai, e Buda está certo: a água está quase limpa, as folhas foram embora e a lama se assentou. Mas ela ainda não está absolutamente limpa, então ele se senta à margem observando o riacho fluir, e lentamente a água fica cristalina. Então ele volta dançando, entendo agora por que Buda fora tão insistente.
Havia uma certa mensagem para ele naquilo, e ele entendeu a mensagem. Ele dá a água a Buda, agradece-lhe e toca os seus pés.
Buda diz: "O que você está fazendo? Eu é que deveria lhe agradecer por ter trazido a água para mim."
Ananda diz: "Agora posso entender. Primeiro eu fiquei com raiva, embora não tivesse demonstrado, mas fiquei com raiva porque era um absurdo voltar. Contudo, agora entendo a mensagem. Aquilo era o que eu, na verdade, precisava naquele momento. O mesmo acontece com a minha mente; ao ficar sentado à margem daquele pequeno riacho, fiquei consciente de que o mesmo acontece com a minha mente. Se eu pular no riacho, novamente o deixarei sujo. Se eu mergulhar na mente, mais barulho será criado, mais problemas começarão a surgir, a aflorar. Ao ficar sentado ao lado do riacho, aprendi a técnica.
"Agora também ficarei sentado ao lado da minha mente, observando-a com todas as suas sujeiras, problemas, folhas mortas, mágoas, feridas, memórias, desejos. Sem me envolver, eu me sentarei à margem e esperarei pelo momento em que tudo estiver cristalino."

(Buda - Sua Vida, Seus Ensinamentos e o Impacto de Sua Presença na Humanidade - Osho - Editora Cultrix)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A verdade que nunca morre...

Sementes de Salvação

Uma criança órfã de pai morreu, e a mãe vivia apenas para aquela criança. Aquela criança era toda a sua vida e sua única esperança; fora ela, não havia mais nada pelo qual a mulher viver. E a criança morreu. a mulher estava a ponto de enlouquecer e não permitia que as pessoas levasse a criança ao crematório. Ela ficava abraçada à criança, na esperança de que começasse a respirar de novo, e estava disposta a dar a própria vida, se a criança pudesse viver.
As pessoas diziam: "Isso não é possível, é contra a lei da natureza". Mas ela estava tão infeliz que não conseguia ouvir ninguém. Então alguém sugeriu: "O melhor a fazer é levarmos essa mulher a Gautama Buda, que por acaso está na vila".
A mulher ficou interessada em ir até Buda, achando que alguém como ele poderia fazer alguma coisa e que aquele era um milagre pequeno, nada demais: fazer com que a criança começasse a respirar de novo. Ela foi até ele chorando e se lamentando, colocou o cadáver da criança aos pés de Buda e pediu: "Você é um grande mestre, conhece os segredos da vida e da morte, e vim com grande esperança. Faça com que meu filho viva de novo!"
Buda disse: "Farei isso, mas antes você terá que satisfazer uma condição".
Ela afirmou: "Estou disposta a satisfazer qualquer condição, mesmo dar a minha vida, mas faça com que meu filho viva".
Buda disse: "Não, a condição que você precisa satisfazer é muito simples. Você tem de andar pela vila e pegar algumas sementes de mostarda de uma casa que a morte nunca tenha visitado."
Ela estava em tal desespero que foi de casa em casa, e todo mundo lhe dizia: "Podemos lhe dar tantas sementes de mostarda quanto você quiser, mas essas sementes não lhe serão de ajuda. Não apenas uma pessoa, mas muitas morreram em nossa família; talvez milhares tenham morrido ao longo das gerações."
Ao entardecer, um grande despertar aconteceu à mulher. Ela tinha percorrido toda a vila e obtido sempre a mesma resposta... todos estavam dispostos a ajuda-la, mas diziam: "Essas sementes de mostarda não serão de ajuda, pois Buda deixou claro: 'Traga as sementes de mostarda de uma família na qual ninguém jamais tenha morrido.'
Ao entardecer, quando voltou, ela era uma mulher totalmente diferente, não mais a mesma pessoa que viera pela manhã. Ela tinha ficado absolutamente ciente de que a morte é uma realidade da vida e que não pode ser mudada.
E para quê? "Mesmo se meu filho viver por alguns anos, terá de morrer novamente. Em primeiro lugar, isso não é possível, e em segundo lugar, mesmo se fosse possível, não faria sentido."
Agora não havia mais lágrimas, em seus olhos, ela estava muito silenciosa e serena.
Uma imensa compreensão veio a ela: ela estava pedindo o impossível. Ela abandonou aquele desejo, veio e caiu aos pés de Buda.
Buda perguntou: "Onde estão as sementes de mostarda? Esperei o dia inteiro".
Em vez de chorar, a mulher  riu e disse: "Você pregou uma bela peça em mim! Esqueça-se da criança, o que se foi se foi. Vim agora para ser iniciada e para me tornar uma saniasin*. Como você, também quero encontrar a verdade que nunca morre. Não estou mais preocupada com meu filho ou com mais ninguém. Agora minha preocupação é a de como encontrar a verdade que nunca morre, a verdade que é a própria vida".
Buda comentou: "Perdoe-me por ter pedido a você algo que eu sabia ser impossível, mas foi uma simples estratégia para trazer você ao seu juízo, e ela funcionou."
 
(*Um sannyasin é alguém que não vive mais no passado ou através do passado, é alguém que vive no momento, por isso ele é imprevisível.)

(Trecho de Buda Sua vida, Seus Ensinamentos e o Impacto de Sua Presença na Humanidade - Osho - Editora Cultrix)


 
 
 
 
 
 
 

A Parábola do Semeador - Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec

5 - Jesus, ao sair de casa, sentou-se à beira-mar, e uma grande multidão de pessoas reuniu-se ao seu redor. Assim, Ele subiu em um barco, e...