quarta-feira, 24 de junho de 2020

A Parábola do Semeador - Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec

5 - Jesus, ao sair de casa, sentou-se à beira-mar, e uma grande multidão de pessoas reuniu-se ao seu redor. Assim, Ele subiu em um barco, e todos ficaram em pé na praia. Foi então que Ele falou ao povo, em forma de parábolas:


Aquele que semeia, saiu a semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram ao longo da estrada, e os pássaros do Céu vieram e comeram-nas.

Uma outra quantidade caiu nas pedras, onde havia pouca terra, por isso, logo germinaram. Como a terra era pouca, não puderam criar raízes e, quando o sol nasceu, as sementes secaram.

Outras caíram nos espinhos e, quando eles cresceram, sufocaram as sementes.

Finalmente, outras caíram em terra boa e deram frutos. Alguns grãos renderam cem por um, outros sessenta, e outros, trinta.

Que ouçam aqueles que têm ouvidos para ouvir (Mateus, 13:1 a 9)

A palavra de Deus  está disponível a todos os que, como diz o texto evangélico, têm ouvidos para ouvir, a todos que querem guardar em seu coração o que é de Deus. Entretanto, cabe perguntar: o nosso coração é solo fértil para guardar a Sua palavra? 

Em nossa jornada terrena, somos testados incessantemente para que possamos saber e entender que o "adubo" destas sementes vem do amor que temos por Deus, da consciência de que somos seres espirituais, temporariamente em aprendizado na matéria. Já as "raízes" de Sua palavra, plantada em nosso coração, é a fé, é a certeza de que, por piores que sejam as circunstâncias que nos cercam, Deus tem o controle de tudo e, "não cai um só fio de cabelo da nossa cabeça, sem que para isso Deus permita".

Tantas vezes nos perguntamos: " mas que Deus é este que permite tanta desgraça no mundo?" Felizmente, Deus nos concede ao reencarnarmos, o benefício do esquecimento do que fizemos em vidas passadas, por isto não temos todas as respostas. 

No enfrentamento de doenças, muitas vezes não conseguimos curar o corpo, achamos que Deus nos abandonou,  mas Deus, com certeza, em meio a tanto sofrimento, está curando o nosso espírito, de acordo com a nossa evolução.

A fé e a predisposição individual ao amor ao próximo é o que nos faz enfrentar todos os obstáculos que surgem em nosso caminho, sem perder a esperança de um futuro melhor, com mais alegria.

Mas como podemos amar o próximo, se nem a nós mesmos conseguimos amar? Em meio às lutas diárias, nos apegamos mais e mais a pessoas e situações, a bens materiais e ao dinheiro, apego que faz com que esqueçamos e nos desviemos de nossos objetivos como espíritos encarnados.

Em vez de nos dedicarmos a Deus  e a sermos instrumentos de auxílio fraterno, nos dedicamos à ganância, ao orgulho, a vaidade ... Desta forma, nosso espírito, em vez de atingir a libertação, fica mais escravizado à matéria, causando ainda mais sofrimento a cada um de nós.

Os desígnios de Deus não estão ao nosso alcance, espíritos em aprendizado, mesmo assim, julgamos, condenamos e contestamos as leis divinas, como se tivéssemos o conhecimento em sua plenitude, o que não é possível, dado o nosso atraso evolutivo.

As respostas que buscamos para nossos questionamentos podem esperar, quando aceitamos e entendemos que não precisamos de respostas para continuar nossa jornada, mas de entrega à Deus e ao seu Reino, que não é deste mundo.

Tempos de renovação íntima já começaram, sem que estejamos bem cientes disto. 

Chegará o dia em que todas as sementes terão sido semeadas em solo fértil, porque esta é a vontade Dele, mas até lá, quanto sofrimento teremos que passar, até que possamos despertar para a Verdadeira Vida e para o real objetivo destes instantes que passamos em um corpo.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Autoconhecimento - Questões baseadas na obra A Arte da Guerra -









Se você reforçar todos os lados, enfraquecerá todos os lados.

Fazer tudo ao mesmo tempo desvia sua atenção. Vamos melhorar seu foco de ação?

Salmo 91

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza e nele confiarei.
Porque ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com as suas penas e debaixo das suas asas estarás seguro: a sua verdade é escudo e broquel.
Não temerás  espanto noturno, nem seta que voe de dia.
Nem peste que ande na escuridão, nem mortandade que assole ao meio dia.
Mil cairão ao teu lado e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido.
Somente com os teus olhos olharás e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu ó Senhor és o meu refúgio! O Altíssimo é a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos teus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os seus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e o áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Pois que tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; po-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, livra-lo-ei e o glorificarei.
Dar-lhe-ei abundância de dias e lhe mostrarei a minha salvação.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A vingança e a hipocrisia

A vingança é uma inspiração tanto mais funesta quanto a falsidade e a baixeza são suas companheiras assíduas; com efeito, aquele que se entrega a essa fatal e cega paixão não se vinga quase nunca  a céu aberto. Quando é o mais forte, precipita-se como um animal feroz sobre aquele a quem chama seu inimigo, quando a visão deste vem inflamar sua paixão, sua cólera e seu ódio. Mas, o mais frequentemente, ele reveste uma aparência hipócrita, em dissimulando, no mais profundo do seu coração, os maus sentimentos que o animam; toma caminhos escusos, segue na sombra seu inimigo sem desconfiança, e espera o momento propício para atingi-lo sem perigo; esconde-se dele, espreitando-o sem cessar; arma-lhe emboscadas odiosas e derrama-lhe, chegada a ocasião, o veneno no copo. 
Quando seu ódio não vai até esses extremos, ele o ataca, então, em sua honra e em suas afeições; não recua diante da calúnia, e suas insinuações pérfidas, habilmente semeadas para todos os ventos, vão crescendo pelo caminho. Por isso, quando aquele que persegue se apresenta nos lugares onde seu sopro envenenado passou, espanta-se de encontrar rostos frios onde encontrava, outras vezes, rostos amigos e benevolentes; fica estupefato quando mãos que buscavam a sua se recusam a apertá-la agora; enfim, fica aniquilado quando seus amigos mais caros e seus parentes se desviam e fogem dele. Ah! o covarde que se vinga assim é cem vezes mais culpável do que aquele que vai direto ao seu inimigo e o insulta de rosto descoberto.

(Trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XII - Amar o Próximo como a si mesmo)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Tédio

Descobri que estou entendiado, sem entusiasmo. Você disse para nos aceitarmos do jeito que somos. Não consigo aceitar a vida, sabendo que, lá dentro, me falta alegria. O que fazer?

Ouvi falar de um novo tipo de tranquilizante que não relaxa - só faz com que você fique mais tenso.
Experimente! Experimente mesmo - seja americano! -, mas não mais do que três vezes. Experimente uma vez, duas, três, e então pare, afinal não há por que ser idiota.
Você me pergunta, "Descobri que estou entediado..."
Essa é uma grande descoberta. Com certeza! Muito poucas pessoas se dão conta de que estão entediadas - e elas estão, estão mortas de tédio. Todo mundo sabe disso menos elas. Saber que se está entediado já é um grande começo; agora basta conhecer algumas implicações disso.
O homem é o único animal que sente tédio; essa é uma grande prerrogativa, faz parte da dignidade do ser humano. Você já viu um búfalo entediado, um jumento entediado? Eles não ficam entediados. O tédio significa simplesmente que o jeito como você está vivendo está errado; por isso é uma grande coisa saber que "Estou entediado e algo tem de ser feito com relação a isso, é preciso que haja alguma mudança". Portanto, não pense que é ruim ficar entediado - é um bom sinal, um bom começo, um começo muito auspicioso. Mas não pare por aí.
Por que se fica entediado? Você fica entediado porque vive de acordo com padrões mortos, que herdou de outras pessoas. Renuncie a esses padrões, largue-os! Comece a viver à sua própria moda!
Não é uma questão de dinheiro, de poder, de prestígio; é uma questão do que, intrinsecamente, você quer fazer. Faça isso sem ligar para os resultados, e o tédio desaparecerá.
Você tem de seguir as ideias dos outros, tem de fazer as coisas do jeito "certo", tem de fazer as coisas quando é preciso. Esses são os alicerces do tédio.
Toda a humanidade está entediada porque aquele que deveria ser místico é matemático, aquele que deveria ser matemático é político, aquele que deveria ser poeta é um homem de negócios. Todo mundo está fazendo uma coisa diferente do que deveria; ninguém está onde deveria estar. É preciso arriscar. O tédio pode desaparecer no mesmo instante se você estiver disposto a correr riscos.
Você me diz, "Descobri que estou entediado..." Você está tão entediado porque não foi sincero consigo mesmo, não foi honesto consigo mesmo, você tem de se respeitar mais.
E você diz, "Estou sem entusiasmo." Como ter entusiasmo? O entusiasmo só aparece quando você está fazendo o que quer; não importa o que isso seja.
[...]
Ainda há tempo - saia dessa prisão em que você viveu até agora! Só é preciso um pouco de coragem, só um pouco da coragem do jogador. Não há nada a perder, lembre-se disso. Você só vai perder seus grilhões - só vai perder o tédio, esse sentimento constante de que está perdendo algo. O que mais há a perder? Saia do rebanho e se aceite - mesmo que fique contra Moisés, Jesus, Buda, Mahavira, Krishna, aceite-se. Sua responsabilidade não é para com Buda ou Zaratustra ou Kabir ou Nanak; sua responsabilidade é para consigo mesmo.
Seja responsável - e, quando eu uso a palavra responsável, faça o favor de não interpretá-la de modo errado. Não estou falando de deveres, responsabilidades. Estou simplesmente usando a palavra no seu sentido literal: responder à realidade, ser responsável.
Você tem vivido uma vida irresponsável, cumprindo todas as responsabilidades que os outros esperam que você  cumpra. O que tem a perder? Você está entediado - essa é uma boa oportunidade. Você está perdendo o entusiasmo; do que mais precisa para sair dessa prisão? Pule para fora, sem olhar para trás.
As pessoas dirão, "Pense duas vezes antes de pular". Eu digo, "Pule primeiro e depois pense tanto quanto quiser!"

(Trecho do livro CORAGEM - O prazer de viver perigosamente - Em busca do destemor - Editora Cultrix - OSHO)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O dever

O dever é a obrigação moral, diante de si mesmo primeiro, e dos outros em seguida. O dever é a lei da vida; ele se encontra nos mais ínfimos detalhes, assim como nos atos mais elevados. |Não quero falar aqui senão do dever moral, e não daquele que as profissões impõem.
Na ordem de sentimentos, o dever é muito difícil de ser cumprido porque se acha em antagonismo com as seduções do interesse e do coração; suas vitórias não tem testemunhos, e suas derrotas não tem repressão. O dever íntimo de homem está entregue ao seu livre-arbítrio; o aguilhão da consciência, esse guardião da probidade interior, o adverte e o sustenta, mas permanece, frequentemente, impotente diante dos sofismas da paixão. O dever do coração, fielmente observado, eleva o homem; mas, esse dever, como precisá-lo? Onde começa ele? Onde se detém? O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; termina no limite que não gostaríeis de ver ultrapassado em relação a vós mesmos.

(Trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XVII - Sede perfeitos - Lázaro, Paris, 1863)

Nem fácil nem difícil, só natural...

O amor é um estado natural da consciência. Nem é fácil nem difícil, essas palavras de forma nenhuma se aplicam a ele. Ele não é um esforço; por isso não pode ser fácil nem pode ser difícil. É como respirar! É como as batidas do coração, é como o sangue circulando no nosso corpo.
O amor é nosso próprio ser...mas esse amor ficou quase impossível. A sociedade não o permite. A sociedade condiciona você de tal forma que o amor fica impossível e o ódio passa a ser a úncia coisa possível. Então o ódio é fácil, e o amor não é só difícil como impossível. O homem tem sido deturpado. Os políticos e os padres têm participado de uma profunda conspiração ao longo das eras. Eles tem reduzido a humanidade a uma multidão de escravos. Estão destruindo qualquer possibilidade de rebelião no homem - e o amor é uma rebelião, porque o amor só ouve o coração e não dá a mínima para o resto.
O amor é perigoso porque ele faz de você um indivíduo. E o Estado e a Igreja.... eles não querem indivíduos, de jeito nenhum. Não querem seres humanos, querem ovelhas. Querem pessoas que só pareçam seres humanos, mas cuja alma tenha sido esmagada de tal maneira, tenha sido danificada a tal ponto, que o estrago pareça quase irremediável.
E a melhor maneira de destruir o homem é destruir sua espontaneidade de amar. Se o home tiver amor, não poderá haver nações; as nações existem no ódio. Os indianos odeiam os paquistaneses e os paquistaneses odeiam os indianos - só assim esses dois países podem existir. Se o amor surgir, as fronteiras vão desaparecer. Se o amor surgir, então quem vai ser cristão e quem vai ser judeu? Se o amor surgir, as religiões desaparecerão.
Se o amor surgir, quem irá ao templo? Para quê? É porque está faltando amor que você sai em busca de Deus. Deus não é nada mais que um substituto para o amor que está faltando. Como você não é bem-aventurado, não está em paz, não está em êxtase, você está em busca de Deus. Se a sua vida é uma dança, Deus já está no seu coração. O coração amoroso está cheio de Deus. Não há necessidade de mais nenhuma busca, não há necessidade  de ir a templo nenhum, de procurar padre nenhum.
Por isso o padre e o político, esses dois, são inimigos da humanidade. Eles estão conspirando, pois o político quer governar o seu corpo e o padre quer governar sua alma. E o segredo é o mesmo: destruir o amor. Então o homem passa a ser nada além de uma vacuidade, de um vazio, uma existência sem sentido. Então você pode fazer o que quiser com a humanidade e ninguém se rebelará, ninguém terá coragem suficiente para se rebelar.
O amor dá coragem, o amor leva o medo embora - e os opressores dependem do seu medo. Eles criam medo em você, mil e um tipos de medo. Você fica cercado de medos, toda a sua psicologia é cheia de medos. Lá no fundo você está tremendo. Só na superfície você mantém uma certa fachada; mas, dentro de você, existem camadas e camadas de medo.
Um homem cheio de medo só pode odiar - o ódio é uma consequência natural do medo. Um homem cheio de medo é também cheio de raiva, e um homem cheio de medo é mais contra a vida do que a favor dela. A morte parece um estado repousante para ele. O homem temeroso é um suicida, tem uma visão negativa da vida. A vida lhe parece perigosa, pois viver significa que você terá de amar - como você poderá viver? Exatamente como o corpo precisa respirar para viver, a alma precisa de amor para viver. E o amor está definitivamente envenenado.
Envenenando a sua energia de amor, eles criaram uma cisão em você; criaram um inimigo dentro de você, dividiram-no em dois. Eles criaram uma guerra civil, e você está sempre em conflito. E, no conflito, sua energia é dissipada; por isso sua vida não tem sabor, alegria. Não transborda de energia; ela é sem graça, insípida, falta-lhe inteligência.
O amor aguça a inteligência, o medo a embota. Quem quer você seja inteligente? Não aqueles que estão no poder. Como eles podem querer que você seja inteligente/ - porque, se for inteligente, você começará a ver toda a estratégia, os jogos que eles fazem. Eles querem que você seja burro e medíocre. Certamente querem que você seja eficiente no que diz respeito ao trabalho, mas não inteligente; por isso a humanidade vive no seu potencial mínimo.

(Trecho do livro CORAGEM - O prazer de viver perigosamente - A coragem de amar - Ed. Cultrix - OSHO)

Primeira Epístola de Paulo Apóstolo a Timóteo

Ora, o fim do mandamento é a caridade de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida.
Do que desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas;
Querendo ser doutores da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam.
Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente.

(Timóteo 1 5:8)

Of Love and Life - Juhi Chawla In Conversation with Sadhguru

terça-feira, 18 de abril de 2017

Salmo 31

Em ti, Senhor, confio; nunca me deixes confundido; livra-me pela tua justiça.
Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa; sê a minha firme rocha, uma casa fortíssima que me salve.
Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; pelo que, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me.
Tira-me da rede que para mim esconderam, pois tu és a minha força.
Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me remiste Senhor Deus da verdade.
Aborreço aqueles que se entregam a vaidades enganosas; eu, porém, confio no Senhor.
Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha aflição. Conheceste a minha alma nas angústias.
E não me entregaste nas mãos do inimigo; puseste os meus pés num lugar espaçoso.
Tem misericórdia de mim, ó Senhor, porque estou angustiado; consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu corpo.
Porque a minha vida está gasta de tristeza e os meus anos de suspiros; a minha força decai por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem.
Por causa de todos os meus inimigos, fui o opróbrio dos meus vizinhos, e um horror para os meus conhecidos; os que me viam na rua fugiam de mim.
Estou esquecido no coração deles, como um morto; sou como um vaso quebrado.
Pois ouvi a murmuração de muitos; temor havia ao redor; porquanto todos se conluiavam contra mim; intentam tirar-me a vida.
Mas eu confiei em ti Senhor; e disse: Tu és o meu Deus.
Os meus tempos estão nas tuas mãos; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem.
Faze resplandecer o teu rosto sobre o rosto do teu servo; salva-me por tuas misericórdias.
Não me deixes confundido, Senhor, porque te tenho invocado; deixa confundidos os ímpios, emudeçam na sepultura.
Emudeçam os lábios mentirosos que dizem coisas más com arrogância e desprezo contra o justo.
Oh! quão grande é a tua bondade, que guardaste para os que te temem, e que tu mostraste àqueles que em ti confiam na presença dos filhos dos homens!
Tu os esconderás, no secreto da tua presença, das intrigas dos homens; ocultá-los-ás em um pavilhão da contenda das línguas.
Bendito seja o Senhor, pois fez maravilhosa a sua misericórdia para comigo em cidade segura.
Pois eu dizia na minha pressa: Estou cortado de diante dos teus olhos; não obstante, tu ouviste a voz das minhas súplicas quando eu a ti clamei.
Amai ao Senhor, vós todos que sois seus santos; porque o Senhor guarda os fiéis e retribui com abundância aos soberbos.
Esforçai-vos, e ele fortalecerá o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

1ª Epístola de Paulo Apóstolo aos Coríntios

... Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três, mas a maior destas é a caridade...

(1º Coríntios 13 - v. 9 a 13)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A loucura fala..

Comecemos pelos juristas. Eles julgam-se os maiores de todos os sábios, e nenhum mortal se admira tanto quanto eles quando, a exemplo de Sísifo, rolam continuamente até o alto de uma montanha uma enorme pedra que torna a cair assim que chegou ao topo - isto é, quando eles entrelaçam quinhentas ou seiscentas leis umas com as outras, sem se importar se elas têm ou não relação com os assuntos de que tratam; quando amontoam glosas sobre glosas, citações sobre citações fazendo assim o vulgo acreditar que sua ciência é uma coisa muito difícil, Pois estão convencidos de que nada é mais admirável que o que custa muito esforço e trabalho.
Ponhamos na mesma classe os dialéticos e os sofistas, gente que faz mais barulho que os vasos de cobre do templo de Dodona, sendo que o menos tagarela superaria as vinte maiores mexeriqueiras que se pode encontrar sob o céu. Bom seria se não fizessem outra coisa que tagarelar; mas eles discutem e brigam com teimosia pelas coisas mais vãs e ridículas e, à força de alterações, perdem geralmente de vista a verdade que buscavam. O amor próprio os faz perfeitamente felizes. Armados de dois ou três silogismos,  não temem entrar na arena para enfrentar qualquer campeão ou discutir sobre qualquer assunto. Mesmo diante de Estentor, jamis os veríamos ceder; sua obstinação os torna invencíveis.
Depois deles vêm os filósofos, homens muito respeitáveis, seguramente, pela barba e o manto, homens que se orgulham de ser os únicos sábios da terra e que olham outros homens como sombras vãs que se agitam na superfície do globo. Que prazer sentem eles quando, em seu delírio filosófico, criam no universo uma quantidade inumerável de mundos diversos; quando nos dão a grandeza do sol, da lua, das estrelas e das outras esferas com tanta exatidão como se as tivessem medido com uma régua ou com barbante; quando nos explicam as causas do trovão, dos ventos, dos eclipses e outros fenômenos inexplicáveis, falando sempre com tanta confiança como se tivessem sido os secretários da natureza quando ela ordenou o mundo, ou como se acabasse de chegar do conselho dos deuses! Mas essa natureza, infinitamente acima de todas as pequenas ideias dos filósofos, zomba deles e de suas conjeturas. Uma prova bastante evidente de que não possuem nenhum conhecimento certo é que mantêm entre si, sobre suas diferentes opiniões, disputas das quais nada se pode compreender. Não sabem absolutamente nada e orgulham-se de saber tudo. Não conhecem nem a si próprios; às vezes, a fraqueza de sua visão ou a distração de seu espírito divagador faz que não vejam um buraco ou uma pedra à frente em seu caminho. No entanto, a ouvi-los, eles enxergam perfeitamente as ideias, os universais, as formas substanciais, a matéria primeira, as quididades, as ecceidades, as entidades, coisas tão minúsculas que não creio que um lince jamais pudesse percebê-las. /com que desprezo, sobretudo, não consideram o vulgo profano, quando sobrepões, uns sobre os outros, triângulos, círculos, quadrados e uma infinidade de outras figuras matemáticas entrelaçadas em forma de labirinto, ou quando, acrescentando a essas figuras letras dispostas em ordem de batalha, combinadas e recombinadas de mil maneiras diferentes, lançam trevas sobre as coisas mais claras e as tornam incompreensíveis aos ignorantes que os escutam! Vários deles, inclusive,orgulham-se de ler o futuro nos astros e prometem coisas que o maior mágico não ousaria prometer. Loucos felizes, que encontram gente bastante tola para acreditar neles!

(Erasmo de Rotterdam - Elogio da Loucura - L&PM)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Prece a Deus...

Já não é mais aos homens que me dirijo; é a ti, Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos: se é permitido a frágeis criaturas perdidas na imensidade e imperceptíveis ao resto do Universo ousar pedir-te alguma coisa, a ti que já lhes deste tudo, a ti, cujos decretos são tão imutáveis  como eternos, digna-Te a olhar com piedade os erros inerentes à nossa natureza; que esses não nos tragam calamidades. Tu que absolutamente não nos deste um coração para que nos odiássemos, nem mãos para que nos matássemos, faze com que nos ajudemos mutuamente a suportar os fardos de uma vida penosa e passageira; que as pequenas diferenças entre as vestes que cobrem nossos débeis corpos, entre todas as nossas linguagens insuficientes, entre todos os nossos costumes ridículos, entre todas as nossas leis imperfeitas, entre todas as nossas opiniões insensatas, entre todas as nossas condições tão desproporcionadas a nossos olhos, porém tão iguais perante os Teus; que todas essas pequenas nuances que distinguem entre si os átomos chamados homens não sejam mais motivos de ódio e de perseguição; que esses que acendem círios à luz do meio-dia para Te celebrar suportem aqueles que se contentam com a luz de Teu sol; que esse que cobrem suas vestes com uma tolha branca para dizer que é preciso Te amar não detestem os que dizem o mesmo quando usam um manto de lã negra; que seja a mesma coisa Te adorar em um jargão derivado de uma antiga língua ou em um dialeto mais moderno; que esses cujas vestes são tintas de vermelho ou de roxo e que dominam uma pequena parcela de um pequeno fragmento da lama deste mundo e que possuem alguns fragmentos arredondados de um certo metal gozem sem orgulho daquilo que chamam de grandeza e de riquezas e que sejam contemplados pelos outros sem inveja; pois Tu sabes que nessas vaidades não existe nada a ser invejado, nem nada de que se orgulhar.
Que todos os homens possam recordar que são irmãos! Que encarem com horror toda tirania exercida sobre as almas assim como sentem execração pelos salteadores que arrebatam pela força o fruto pacífico do trabalho e da indústria! Se os flagelos da guerra forem inevitáveis, que não nos odiemos, nem nos dilaceremos uns aos outros no seio da paz e empreguemos este instante que é a nossa existência a bendizer igualmente em mil línguas diversas, do Sião à Califórnia, Tua bondade que nos deu este instante.

(Voltaire - Tratado sobre a Tolerância - L&;PM POCKET)

(Que tenhamos todos, realmente, Boas Festas e muitos novos anos pela frente! Que estes novos anos sejam recebidos por nós, com o coração repleto de gratidão pelo grande presente concedido por Deus, que é a oportunidade de estarmos vivos, neste Planeta, aprendendo a lição mais difícil de todas: o amor!)

sábado, 26 de novembro de 2016

Quando o novo bater à sua porta, abra-a!

Você não pode trazer o novo para a sua vida; o novo vem. Você pode aceitá-lo ou rejeitá-lo.


Não há nada que você possa fazer para criar o novo, pois o que quer que faça pertencerá ao velho, será decorrência do passado.Mas isso não significa que você tenha que parar de agir. É agir sem desejo ou direção ou impulso vindos do passado - e isso é agir de modo meditativo. Agir espontaneamente. Deixe o momento decidir.
Você não impõe sua decisão, porque a decisão será fruto do passado e ele destruirá o novo. Você age de acordo com o momento, assim como uma criança. Abandone-se completamente ao momento - e você encontrará todos os dias novas aberturas, nova luz, novas introvisões. E essas novas introvisões continuarão a mudar você. O velho não mais subsiste, o velho não o envolve mais como uma névoa. Você é como uma gota de orvalho, fresca e jovem.
Esse é o verdadeiro significado da ressurreição. Se entender isso, você ficará livre da memória - da memória psicológica, quero dizer. A memória é uma coisa morta. A memória não é a verdade nem nunca poderá ser porque a verdade está sempre viva, a verdade é vida; a memória é a persistência daquilo que já não existe mais. É viver em um mundo fantasmagórico que nos limita, é a nossa prisão. Na verdade, esse mundo somos nós. A memória cria o embaraço, o complexo chamado "Eu", o ego. E, naturalmente, essa entidade falsa chamada "Eu" está continuamente com medo da morte. É por isso que você tem medo do novo.
Esse "Eu" é que tem medo, não é você. O ser não tem medo, mas o ego tem, pois ele morre de medo de morrer. O ego é artificial, é arbitrário, é construído. Ele pode se desintegrar a qualquer momento. E, quando o novo entra, surge o medo. O ego fica amedrontado, ele pode se desintegrar. De algum modo ele tem conseguido se manter, tem conseguido se conservar num só pedaço, e agora algo novo aparece - isso vai estilhaçá-lo. Eis porque você não aceita o novo com alegria. O ego não pode aceitar sua própria morte com alegria - como ele pode aceitar sua própria morte com alegria?
A menos que tenha entendido que você não é o ego, você não será capaz de receber o novo. Depois que tiver percebido que o ego é a sua memória do passado e nada mais, que você não é a sua memória, que a memória é só um biocomputador, é uma máquina, um mecanismo, um utilitário, mas que você é mais do que isso... você é consciência, não memória. A memória é um conteúdo da consciência, você é a própria consciência.
Para ser novo, é preciso que você deixe de se identificar com o ego. Depois que faz isso, você já não se importa se ele vai morrer ou viver. Na verdade, você sabe que, se viver ou morrer, ele de qualquer jeito já está morto. Ele é só um mecanismo. Use-o, mas não seja usado por ele. O ego está o tempo todo com medo da morte, pois ele é arbitrário, daí o medo. Ele não surge do ser; não pode surgir do ser, pois o ser é vida - como a vida pode ter medo da morte? A vida não sabe nada sobre a morte. O ego é fruto do arbitrário, do artificial, de algo que foi construído, do falso, do pseudo. E é justamente esse desapego, justamente essa morte do ego que faz um homem estar vivo. Morrer no ego é nascer para o ser.

(OSHO - Coragem - Editora Cultrix)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Crenças são coisas emprestadas a confiança é sua

A coisa mais difícil na vida é abandonar o passado - porque abandonar o passado significa abandonar toda a nossa identidade, toda a nossa personalidade. Significa renunciar a si mesmo. Porque você é o seu passado; você não é nada mais do que seus condicionamentos.
Largar o passado não é tão simples como trocar de roupa - na verdade, é como se a sua própria pele estivesse sendo arrancada. O seu passado, é tudo o que você conhece de si. E abandoná-lo não é fácil, é um trabalho árduo - é a coisa mais difícil que existe. Mas somente quem se atreve a fazer isso é que vive de verdade. Os demais apenas fingem que vivem, eles simplesmente vão se arrastando de alguma forma por aí. Não tem nenhuma vitalidade, nem poderiam ter. Eles vivem no mínimo, e viver assim é desperdiçar a coisa toda.
O florescimento só acontece quando você vive o seu potencial ao máximo. Deus só se manifesta quando o seu ser e a sua verdade atingem a sua máxima expressão - aí, sim, você começa a sentir a presença do divino.
Quanto mais você desaparece, mais você sente a presença do divino. Mas essa presença só é sentida mais tarde. A primeira condição a ser cumprida é esta: que você desapareça. É uma espécie de morte.
Por isso é tão difícil. Veja bem, os seus condicionamentos estão arraigados de forma muito profunda - desde sempre você vem sendo condicionado; bastou você nascer, e o condicionamento começou. Então, no momento em que você fica um pouco mais alerta, em que começa a se dar conta das coisas, os condicionamentos já se instalaram no âmago do seu ser. Nesse sentido, enquanto você não penetrar no núcleo mais profundo do seu ser - o centro que não foi condicionado, que é anterior aos condicionamentos -, enquanto não recuperar o seu silêncio e a sua inocência, você nunca vai saber realmente quem você é.
Você pode até saber que é hindu, cristão, comunista; pode saber que é indiano, chinês, japonês, e tantas outras coisas - mas tudo isso são apenas condicionamentos que lhe foram impostos.
Você veio ao mundo como um ser profundamente silencioso, puro, inocente. Sua inocência era absoluta.
Meditação significa penetrar nesse núcleo, o centro mais essencial do seu ser. Os praticantes do zen chamam isso de conhecer o seu "rosto original".

(OSHO - Vivendo Perigosamente - A aventura de ser quem você é - Editora Alaúde)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

As três categorias do samsara

1. A semente do samsara: o aturdimento

A semente do samsara é o completo oposto do buda ou despertar do sofrimento: é a ignorância, estupidez, aturdimento básico. O aturdimento é um estado psicológico que todos nós experimentamos; inclui o estado de sonho e o estado de sono. Devido ao aturdimento, estamos constantemente sem rumo, sem saber exatamente o que está acontecendo - que é o oposto da consciência ou de dar-se conta. Não ver, não saber, não ter a experiência do que está acontecendo uma constante ausência de rumo - essa é a semente do samsara.

2. A causa do samsara: a fixação.

A segunda categoria do samsara é a causa. A causa é aferrar-se a conceitos vagos. Isso é o que chamamos "fixação", ou dzinpa, em tibetano. Dzin signifca "agarrar", logo, dzinpa significa "fixação" ou "avareza". Já que não temos uma percepção clara, devemos agarrar-nos à imprecisão e à incerteza. Ao fazer isso, começamos a comportar-nos como uma bola de pingue-pongue, que não possui inteligência alguma, mas segue somente a orientação da raquete. Somos golpeados de cá para lá por nossa fixação, como uma bola de pingue-pongue.

Gostaríamos de expressar-nos quando sentimos que somos sabotados ou não somos reconhecidos - gostaríamos de expor-nos a riscos - mas de novo, somos "pingue-pongueados". Às vezes sentimos que temos tanta responsabilidades que gostaríamos de aposentar-nos e desaparecer, mas novamente nos tornamos uma bola de pingue-pongue. O que quer que façamos, nossas ações não são perfeitamente corretas porque, baseados nesse jogo neurótico, continuamos a ser "pingue-pongueados." Embora possa parecer que a bola de pingue-pongue esteja comandando os jogadores, embora pareça surpreendente que uma bola tão pequena tenha tanto poder para dirigir as ações dos jogadores e até mesmo atrair os espectadores e fazê-los prestar atenção nela enquanto vai de um lado para o outro - na realidade isso não é verdade. A bola de pingue-pongue é apenas uma bola. Ela não possui nenhuma inteligência; funciona apenas por reflexo.

3. O efeito do samsara: o sofrimento

Finalmente, chegamos ao efeito. A semente do samsara é o aturdimento; a causa do samsara é a fixação; o efeito é o sofrimento. Já que temos sido jogados constantemente de um lado para o outro, começamos a sentir vertigem. Como uma bola de pingue-pongue, sentimos muita tontura e todo o corpo dói, tantas vezes fomos golpeados de um lado para o outro. A sensação de dor é enorme. Essa é a definição do samsara.

De acordo com a terceira nobre verdade, estamos prevenindo o samsara, ou causando sua cessação, comportando-nos como sang-gye, ou um buda. Parece que a única maneira de poder identificar-nos, ainda que por um breve instante, com a experiência da budeidade é por meio da experiência da prática da atenção plena e da consciência panorâmica. Essa é a mensagem. Nesse ponto, a cessação não é considerada como cessação pura ou resposta completa - ela é a mensagem de que isso é possível. É possível desenvolver a compreensão. É possível desfazer o aspecto mítico e ficcional da cessação e ter experiência de um lampejo de cessação como uma realidade, embora isso possa ser apenas um lampejo muito curto, muito pequeno.

O primeiro passo é dar-nos conta de que estamos em uma desordem samsárica. Embora as pessoas ouçam isso por muitos anos, elas ainda não reconhecem verdadeiramente que estão sendo golpeadas como uma bola de pingue-pongue. É precisamente por isso que estamos no samsara - porque sabemos o que estamos fazendo, mas ainda assim continuamos a fazê-lo. No entanto, ao sermos uma bola de pingue-pongue, ainda temos brechas durante as quais não a somos. Há brechas nas quais experimentamos alguma outra coisa. De fato, enquanto somos uma bola de pingue-pongue, ocorre constantemente outra experiência: a experiência da consciência panorâmica. Começamos a dar-nos conta do que somos, de quem somos e do que estamos fazendo. Mas essa constatação pode levar ao materialismo espiritual, que é outra forma de fixação - estamos sendo "pingue-pongueados" pela espiritualidade. Contudo, também nos damos conta de que, se não houver velocidade, não haverá fixação; portanto, poderemos transcender o materialismo espiritual.

O que contrasta com o samsara é o nirvana, ou paz. Todavia, nesse ponto não temos nada senão o samsara e pequenos pontos de luz que surgem do meio da escuridão. Nossa primeira alternativa ao samsara é a prática da consciência panorâmica e da atenção plena, que nos transporta pela viagem das quatro nobres verdades. Essa parece ser a única maneira. Temos de retroceder para tornar-nos como o Buda. A terceira nobre verdade é simples: o nirvana é possível. Antes de termos completado a cessação, temos de ter a mensagem de que é possível ter a cessação completa.

É possível ter a experiência de um momento do nirvana, um lampejo de cessação. Foi isso que o Buda ensinou em seu primeiro sermão em Sarnath, quando ministrou os ensinamentos sobre as quatro nobres verdades, repetidos por quatro vezes. O Buda disse que a cessação poderia ser experimentada. Disse que o sofrimento deveria ser conhecido; dever-se-ia renunciar à origem do sofrimentoa cessação do sofrimento deveria ser alcançada; e o caminho deveria ser considerado a verdadeira solução.

(As quatro nobres verdades do Budismo e o caminho da Libertação - Chögyam  Trungpa - Compilado e organizado por Judith L Lief - Cultrix)


Viver consciente - Fazer consciente

Podemos dar muitas voltas ao redor do tema disciplina, mas em qualquer delas chegaremos ao ponto central de tudo, a consciência. A atenção desperta é, por si mesma, uma ação de mudança.

Se prestar atenção em sua respiração neste momento, você irá alterá-la; ou respirará mais lentamente, ou mais profundamente, mas não conseguirá prestar atenção na respiração sem modificá-la, pois esse é um atributo da atenção.

Quando damos atenção a uma pessoa, vamos obter uma visão diferente do momento imediatamente anterior. Quando damos atenção a uma ideia que está sendo apresentada, ela imediatamente ganha contornos dentro de nossa imaginação, e isso é um ato de transformação. Ao darmos atenção a um objeto, reconhecemos qualidades ou valores que o  modificam em nossa percepção.

Quando colocamos nossa atenção em algo estamos produzindo mudanças. Esse é um atributo básico da atenção, que é a prática do viver consciente. Com o simples ato de colocar atenção sobre algo, aquilo já adquirirá contornos novos e estaremos mais conscientes de nossa relação com a pessoa, o objeto, a circunstância ou o comportamento.

Outro atributo da consciência é a compreensão. Quanto mais compreendemos determinado processo, mais o dominamos, mais somos capazes de criar sobre ele e mais diversas são as alternativas de que dispomos para alterá-lo.

A compreensão é fruto do conhecimento. Assim, aprender sobre qualquer tema que nos interesse mudar é a forma de compreender o processo e nos tornarmos hábeis para produzir a mudança.
Se aliarmos a atenção à compreensão, então teremos a consciência, que é por si mesma um processo disciplinador. Se soubermos, compreendermos e colocarmos atenção, então mudaremos, sem que seja necessário sobreesforço, trabalho excessivo ou sacrifícios. Esses caminhos são necessários quando nos falta consciência.

(Dulce Magalhães, PhD - Manual da Disciplina para  Indisciplinados - Editora Saraiva)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O poder dos pensamentos vacilantes

A ideia do Künjung, a origem do sofrimento, é que ele progride. Quando nos projetamos numa situação ou em um mundo específico, começamos com um deslocamento da atenção muito pequeno e de curtíssima duração; e a partir disso as coisas são aumentadas e exageradas. De acordo com abhidharma,  a ligação entre as ideias pequenas e as grandes é muito importante. Por exemplo, dramas súbitos, tais como assassinar alguém ou criar um caos imenso, começam no nível de conceitos ínfimos e pequeníssimos deslocamentos de atenção. Algo grande está sendo posto em funcionamento a partir de algo muito pequeno. O primeiro pequeno indício de não gostar ou de ser atraído por alguém aumenta rapidamente e no final causa um drama emocional ou psíquico de escala muitíssimo maior. Portanto, no princípio, tudo começa numa escala minúscula e depois se expande. As coisas começam a crescer e expandir-se até que se tornam muito grandes - imensuravelmente grandes, em muitos casos. Nós mesmos podemos experimentar isso. Esses deslocamentos ínfimos de atenção são o que criam as emoções agressivas, a paixão, a ignorância e tudo o mais. embora sejam aparentemente avassaladoras, enormes e grosseiras, essas emoções tem sua origem nas distorções sutis que ocorrem constantemente em nossa mente.
Devido a esse súbito deslocamento de atenção e porque nossa mente é basicamente destreinada, começamos a ter uma sensação de despreocupação a respeito disso tudo. Estamos constantemente à procura de possibilidades de apropriar-nos de alguém, ou de destruir alguém, ou de aliciar alguém para o nosso mundo. A luta acontece o tempo todo. O problema é que não nos relacionamos adequadamente com essa condição enganadora e evasiva. Temos a experiência do surgimento de tais pensamentos agora mesmo, o tempo todo; caso contrário, a segunda nobre verdade não seria verdadeira - ela seria apenas uma teoria. Pessoas que têm praticado meditação e estudado os ensinamentos, que tem se aberto e interessado, podem receber esse padrão. Se somos praticantes , estamos esfolados e sem pele, o que é bom; no entanto, se somos muito maduros, talvez queiramos escapar ou tentar desenvolver uma casca mais grossa. Ser capaz de relacionar-se com as sutilezas das mudanças mentais está associado ao princípio hinayama de prestar atenção, em pequenas doses, a cada atividade que nos dedicamos. Não existe algo como um psicodrama súbito sem nenhuma causa ou efeito. Cada psicodrama que ocorre em nossa mente ou em nossos atos tem sua origem nos pequenos pensamentos vacilantes e nas pequenas oscilações de atenção.

(As 4 Nobres Verdades do Budismo e o Caminho da Libertação - Chögyam Trungpa - Cultrix)


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A vida é sempre ao ar livre

O ego cerca você como um muro. Ele o convence de que, cercando você desse jeito, ele o protegerá. Essa é a sedução do ego. Ele não pára de lhe dizer: "Se eu não estiver lá, você vai ficar desprotegido, vai ficar muito vulnerável, e será muito arriscado. Portanto, deixe-me guardar você, deixe-me cercá-lo."
De fato o ego dá certa proteção, mas esse muro também faz de você um prisioneiro. Existe uma certa proteção, do contrário ninguém iria sofrer as misérias que o ego traz. Existe uma certa proteção, ele protege você do inimigo - mas protege você dos amigos também.
É exatamente como se você fechasse aporta e se escondesse atrás dela, com medo do inimigo. Então chega um amigo, mas a porta está fechada, ele não pode entrar. Se você tiver muito medo do inimigo,  o amigo também não poderá chegar até você. E, se abrir a porta para ele, existe o risco de que o inimigo também entre.
É preciso pensar nisso profundamente; trata-se de um dos maiores problemas da vida. E só algumas poucas pessoas corajosas o enfrentam da forma correta; as outras se acovardam e se escondem, levando a perder toda a vida delas.
A vida é arriscada, a morte não oferece riscos. Morra e os problemas se acabarão para você e ninguém mais vai matá-lo, porque como é que alguém poderá matá-lo se você já está morto? Entre numa cova e ponha um fim na questão! Então não haverá mais doença, nem preocupação, nem problema - você estará livre de todos os problemas.
Mas, se você estiver vivo, então haverá um milhão de problemas. Quanto mais viva a pessoa estiver, mais problemas ela terá. Mas não há nada de errado nisso, porque lutar com os problemas, enfrentar desafios é a forma pela qual crescemos.
O ego é um muro sutil em torno de você. Ele não deixa que ninguém o invada. Você se sente protegido, seguro, mas essa segurança é como a morte. É a segurança da planta dentro da semente. A planta tem medo de germinar porque, vai saber - o mundo é tão perigoso e a planta será tão delicada, tão frágil. Por trás dos muros da semente, escondida dentro da cela, tudo é protegido.
Ou pense numa criancinha no útero da mãe. Tudo está ali, qualquer coisa de que a criança precise é imediatamente providenciado. Não existe preocupação, luta ou futuro. A criança simplesmente vive sua bem-aventurança. Todas as necessidades são preenchidas pela mãe.
Mas você gostaria de ficar a vida toda no útero da mãe? É um lugar bem protegido. Se lhe fosse dada a chance, você optaria por ficar ali para sempre? É muito confortável; o que poderia ser mais confortável do que isso? Os cientistas dizem que ainda não fomos capazes de criar uma situação mais confortável do que o útero materno. O útero parece ser o máximo em conforto. Tão confortável - sem preocupação, sem problemas, sem precisar trabalhar. Uma vida simples. E tudo é fornecido automaticamente - surge a necessidade e na mesma hora ela é atendida. Não há sequer o incômodo de respirar - a mãe respira pela criança. Não é preciso se incomodar com a comida - a mãe se alimenta pela criança.
Mas você gostaria de ficar para sempre no útero materno? É confortável, mas não é vida. A vida é sempre ao ar livre. A vida é lá fora.
A palavra êxtase é muito significativa. Significa ficar fora. Êxtase significa sair - sair de todas as conchas e de todas as proteções e de todos os egos e de todos os confortos, de todos os muros que se assemelhem à morte. Estar em êxtase significa sair, ficar livre, estar em movimento, ser um processo, ser vulnerável a ponto de os ventos poderem vir e passar por você.
Em inglês, existe uma expressão; às vezes se diz. "That experience was outstanding". É exatamente esse o significado do êxtase: outstanding, literalmente, "estar fora".
Quando a semente germina e a luz escondida ali dentro começa a se manifestar, quando uma criança nasce e deixa o útero, deixa todos os confortos e todas as conveniências, ela vai ao encontro do mundo desconhecido - é o êxtase. Quando o pássaro quebra o ovo e voa para o céu, é o êxtase.
O ego é o ovo, e você terá que sair dele. Seja extasiante! Deixe de lado todas as proteções, conchas e seguranças. Só então você alcançará o mundo mais amplo, a vastidão, o infinito. Só então você viverá, e viverá com abundância.
Mas o medo o deixa aleijado. A criança, antes de sair do útero, provavelmente também hesita em sair ou não do útero. Ser ou não ser? Ela dá um passo para frente e outro para trás. Talvez por isso a mãe sinta tanta dor. A criança hesita, ela ainda não está totalmente pronta para ficar extasiada. O passado a puxa para trás, o futuro a impele para a frente, e a criança fica dividida.
Esse é o muro da indecisão, do apego ao passado, do apego ao ego. E você o carrega por todo lugar. Às vezes, em raros momentos, quando está muito vivo e alerta, você é capaz de perceber esse muro. Mas, na maior parte do tempo, embora seja um muro bem transparente, você não consegue enxergá-lo. Pode-se viver a vida toda - e não apenas uma, mas muitas - sem tomar consciência de que se está vivendo dentro de uma cela, sem saída para lugar nenhum, sem janelas, o que Leibnitz costumava chamar de "mônada". Sem portas, sem janelas, só fechado ali dentro - embora se trate de um muro de vidro, transparente.
Esse ego tem de ser deixado para trás. É preciso reunir coragem e deixá-lo espatifar no chão. As pessoas continuam alimentando-o de mil formas diferentes, sem saber que estão criando um inferno particular.
A sra. Cochrane estava em pé ao lado do caixão do marido.
O filho deles, ao lado dela. Parentes e amigos passavam, um a um, examinando o morto.
- Ele não sente mais dor agora, comentou a sra. Croy.
- Do que ele morreu?
- Pobre homem - disse a sra. Cochrane -, morreu de gonorreia!
Outra mulher fitou o corpo.
- Já está livre da doença agora. Há um sorriso sereno estampado no rosto dele. Do que morreu?
- Morreu de gonorreia, repetiu a viúva.
De repente o filho puxou a mãe de lado:
- Mãe, não diga isso de papai. Ele não morreu de gonorreia. Morreu de diarreia!
- Sei disso! - retrucou a sra. Cochrane. - Mas prefiro que pensem que ele morreu como um homem de verdade, não como a porcaria que era!
Até o fim, as pessoas continuam a fazer joguinhos.
O ego não deixa que elas sejam verdadeiras; ele as obriga a serem falsas. O ego é mentiroso, mas é a pessoa que tem de decidir. É preciso grande coragem porque, com ele, também será destruído tudo o que você tem acalentado até hoje. Todo o seu passado será aniquilado. Com ele, você será totalmente aniquilado. Haverá alguém ali, mas você não será essa pessoa. Uma entidade diferente emergirá de dentro de você - renovada, não-corrompida pelo passado. Então não haverá mais muro; independentemente do que você será, você poderá vislumbrar o infinito sem fronteiras.
O velho, ao entrar no seu botequim favorito, descobriu que a garçonete de sempre havia sido trocada por outra que ele não conhecia. Surpreendeu-se a princípio, mas depois disse galantemente à moça que há muito tempo ele não via uma garota tão atraente como ela.
A nova garçonete. um tipo meio arrogante, olhou-o com desdém e respondeu com aspereza:
- Sinto não poder dizer o mesmo.
- Ah, bem, minha cara - respondeu o velho placidamente - Você não poderia ter feito como eu? Ter simplesmente mentido?
Todas as formalidades dos seres humanos não fazem nada mais do que ajudar o ego uns dos outros. São mentiras. Você diz alguma coisa a alguém e essa pessoa retribui o cumprimento. Nem você nem a outra pessoa são verdadeiros. Continuamos com joguinhos: etiqueta, formalidades, rostos e máscaras civilizadas.
Então você terá de olhar  para o muro. E, pouco a  pouco, ele vai ficar tão espesso que você  não vai mais conseguir ver nada. O muro vai ficando mais e mais espesso a cada dia - portanto, não espere. Se você começou a sentir que ergueu um muro em torno de si, derrube-o! Pule para fora! Basta que decida transpô-lo, nada mais. Então a partir de amanhã não o alimente mais. E, cada vez que perceber que o está cultivando, pare. Dentro de alguns dias, você verá que ele morreu, pois precisa do seu apoio constante, precisa do seu apoio constante, precisa ser alimentado em seu seio.

(CORAGEM - O prazer de viver perigosamente - Cultrix - OSHO)

O que quer que você faça a vida é um mistério

A mente tem certa dificuldade para aceitar a ideia de que existe algo que não seja explicável. A mente tem um anseio urgente de que tudo seja explicado...se não explicado, pelo menos justificado! Qualquer coisa que seja um enigma, um paradoxo, deixará a mente atormentada.
Toda a história da filosofia, da religião, da ciência, da matemática, tem a mesma raiz, a mesma mente - o mesmo comichão. Você pode se coçar de uma maneira, outra pessoa de outra, mas o comichão tem de ser entendido. O comichão é a crença de que a existência não é um mistério. A mente só consegue se sentir em casa se a existência for de alguma forma desmistificada.
A religião fez isso criando Deus, o Espírito Santo, o Filho Bem Amado; cada religião criou uma coisa diferente. Essa maneira que encontraram para tapar o buraco que não é possível tapar; o que quer que você faça, o buraco estará lá. O seu esforço para tapá-lo mostra o medo que você tem de que alguém vá ver o buraco.
Toda a história da mente, em suas diferentes ramificações, tem sido fazer uma colcha de retalhos para esconder esse buraco - principalmente na matemática, porque a matemática é  puramente um jogo mental. Existem matemáticos que não concordam com isso, assim como existem teólogos que acham que Deus é uma realidade. Deus é só uma ideia. E, se os cavalos tivessem ideias, Deus seria um cavalo. Você pode ter certeza absoluta de que ele não seria um homem, porque o homem tem sido tão cruel com os cavalhos que ele só pode ser concebido como um demônio, não como Deus. Mas então todo o animal teria uma ideia própria do que seria Deus, assim como cada raça humana tem a sua própria ideia de Deus.
As ideias servem como substitutos quando a vida é um mistério e você encontra lacunas que não podem ser  preenchidas pela realidade. Você preenche essas lacunas com ideias; e pelo menos começa a sentir satisfação pelo fato de a vida poder ser entendida.
Você já parou para pensar na palavra entender? Significa ficar abaixo de você. É estranho que essa palavra tenha pouco a pouco adquirido um significado tão distante da ideia original: qualquer coisa que você possa  por abaixo de você, que esteja sob os seus pés, sob o seu poder, sob o seu sapato, é algo com relação ao qual você pode se considerar mestre.
As pessoas tem tentado entender a vida dessa maneira, de modo que possam colocá-las sob os pés e declarar: "Somos mestres, agora já não há nada que não possamos entender."
Mas isso é impossível. O que quer que você faça, a vida é um mistério e vai continuar sendo um mistério.
EM TODO LUGAR, EXISTE ALGO QUE ESTÁ ALÉM. Estamos cercados pelo além. Esse além é Deus; esse além tem de ser desbravado. Ele está dentro, está fora; está sempre ali. E, se você se esquecer disso...  como costumamos fazer, porque é muito desconfortável, inconveniente, olhar além. É como se estivéssemos olhando para dentro de um abismo e começássemos a tremer, a sentir vertigem. A própria consciência do abismo faz com que você comece a tremer. Ninguém olha no fundo de um abismo; seguimos caminho mantendo os olhos em outra direção; seguimos caminho evitando o real. O real é como um abismo, porque o real é um grande vazio. É um céu imenso sem fronteiras. Buda disse: Durangama - esteja pronto para ir além. Nunca fique confinado  por fronteiras; ultrapasse-as sempre. Estabeleça fronteiras se precisar delas, mas lembre-se sempre de que você tem que cruzá-las. Nunca crie prisões.
Nós criamos muitos tipos de prisão: relacionamentos, crenças, religião - tudo isso é prisão. Sentimos aconchego porque não há ventos fortes soprando. Sentimo-nos protegidos - embora essa proteção seja falsa, pois a morte virá e nos levará para o além. Antes que a morte venha e leve você para o além, siga para lá por conta própria.
Uma história:
Um monge zen estava à beira da morte. Era muito velho, tinha noventa anos. De repente ele abriu os olhos e disse:
- Onde estão os meus sapatos?
- Aonde o senhor vai? - perguntou o discípulo. - Ficou louco? O senhor está morrendo e o médico disse que não há mais nenhuma possibilidade de salvá-lo; só restam uns poucos minutos.
- É por isso que estou procurando os meus sapatos - respondeu o monge. - Eu gostaria de ir ao cemitério porque não quero ser levado para lá. Irei andando com minhas próprias pernas e lá encontrarei a morte. Não quero ser levado. E você me conhece - eu nunca me apoiei em ninguém. Será uma cena muito feia, quatro pessoas me carregando. Não.
O monge andou até o cemitério. Não só andou até lá como cavou sua própria cova, deitou-se nela e morreu. Que coragem de aceitar o desconhecido, que coragem de seguir por si mesmo e dar as boas-vindas ao além! Assim a morte é transformada; ela deixa de ser morte.
Um homem corajoso como esse nunca morre; a morte é derrotada. Um homem corajoso como esse transcende a morte. Para aquele que segue para o além com as próprias pernas, o além nunca é como a morte. Então o além passa a ser bem-vindo. Se você dá as boas-vindas ao além, ele também lhe dá as boas-vindas; o além sempre imita você.

(CORAGEM - O prazer de viver perigosamente - OSHO - Cultrix)

A Parábola do Semeador - Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec

5 - Jesus, ao sair de casa, sentou-se à beira-mar, e uma grande multidão de pessoas reuniu-se ao seu redor. Assim, Ele subiu em um barco, e...